Por que o escritório precisa de um site próprio
Quem procura advogado hoje faz duas coisas antes de ligar: pesquisa no Google e olha o que encontra sobre o profissional. Se o resultado é só um perfil de rede social e um número de WhatsApp, a decisão fica mais difícil — não por má vontade do cliente, mas por falta de informação.
O site resolve isso porque é o único canal em que o escritório controla o enquadramento: quais áreas atende, qual a formação, quem já atendeu, como agendar. Rede social é aluguel — o alcance muda quando a plataforma decide mudar. O site é propriedade.
Na advocacia, o site raramente fecha o contrato sozinho. O que ele faz é encurtar a desconfiança: quando a pessoa chega na primeira conversa, já sabe com quem está falando.
A partir daí vem a pergunta que motivou este artigo: uma página única basta, ou o escritório precisa de um site completo? A resposta honesta é que depende do que você quer que o site faça — e as duas coisas não são substitutas.
O que é uma landing page
Landing page é uma página só, com um objetivo só. Não tem menu de navegação convidando o visitante a passear pelo site: tudo nela empurra para uma única ação, que no caso da advocacia quase sempre é agendar uma consulta.
A estrutura típica é uma sequência: quem você é e para quem trabalha, o problema que resolve, prova de que resolve (números, credenciais, clientes), e o formulário ou botão de WhatsApp. Sem desvios. Cada link extra é um caminho para o visitante sair sem falar com você.
É a peça certa quando existe uma fonte de tráfego definida: um anúncio no Google Ads, o link da bio no Instagram, um QR code num material impresso, a assinatura de e-mail. Você já sabe de onde a pessoa vem e o que ela quer — a página só precisa não estragar.
O que é um site institucional
Site institucional é o escritório inteiro na internet: página inicial, uma página por área de atuação, quem somos, blog ou artigos, contato. Várias páginas, cada uma com um assunto.
A diferença prática mais importante é essa multiplicidade. O Google não ranqueia "sites": ele ranqueia páginas. Uma página só disputa poucas buscas. Uma página dedicada a direito tributário, outra a direito imobiliário, outra a direito de família — cada uma pode ser encontrada por quem pesquisa exatamente aquilo. É assim que o SEO ganha superfície para trabalhar.
O custo disso é conteúdo. Site institucional com dez páginas vazias é pior que landing page bem escrita: o Google entende páginas rasas como pouco úteis, e o visitante também.
Comparando as duas, sem enrolação
Landing page
página única
- Objetivo
- Converter quem já chegou: uma ação, um botão.
- Melhor para
- Advogado autônomo, marca pessoal, campanha paga, teste de uma área nova.
- Força no Google
- Baixa. Pouco conteúdo, poucos termos de busca.
- Prazo típico
- 1 a 3 semanas.
- Risco
- Se a fonte de tráfego secar, a página fica sem visitas.
Site institucional
várias páginas
- Objetivo
- Apresentar o escritório e ser encontrado por vários assuntos.
- Melhor para
- Banca com múltiplas áreas, equipe, e intenção de crescer no orgânico.
- Força no Google
- Alta, se houver conteúdo real em cada página.
- Prazo típico
- 4 a 8 semanas.
- Risco
- Sem conteúdo e manutenção, vira folheto parado.
Resumo em uma frase: a landing page colhe demanda que já existe; o site institucional planta demanda para os próximos anos.
Um caso real: quando a resposta é "as duas"
Vale mostrar isso com projeto entregue, não com hipótese. Desenvolvemos dois sites do mesmo grupo de advocacia — e eles não competem entre si porque cada um atende um público em um momento diferente.
O detalhe que faz a arquitetura funcionar é a ligação entre elas: a landing page pessoal encaminha para o site do escritório quando o visitante quer ver estrutura, equipe e amplitude de atuação. Quem chegou por indicação do profissional encontra a pessoa; quem chegou pesquisando "advogado tributarista em São Paulo" encontra a banca. Nenhum dos dois tenta fazer o trabalho do outro.
Se o seu caso é mais simples — um advogado, duas áreas, orçamento enxuto —, comece pela peça que resolve o gargalo atual. Falta gente chegando? Você precisa de presença no Google, ou seja, de páginas. Chega gente mas ninguém agenda? O problema é conversão, e uma landing page focada resolve mais rápido.
O que a OAB permite (e o que derruba o site)
Este é o ponto em que a advocacia difere de qualquer outro segmento: a publicidade é regulada, não proibida. O Provimento nº 205/2021 do Conselho Federal da OAB atualizou as regras para o ambiente digital, substituindo o antigo Provimento 94/2000, que era anterior às redes sociais.
Em linhas gerais, o provimento admite a publicidade informativa da advocacia: site próprio, perfis profissionais, produção de conteúdo, identificação com nome, número de inscrição na OAB e áreas de atuação. O que ele restringe é a mercantilização — o tom de comércio, a captação direta de clientela e a oferta de serviços jurídicos individualizados.
- Tom sóbrio e técnico. O texto do site informa e explica; não vende como loja nem apela para urgência.
- Sem promessa de resultado. Nada de "ganhe sua causa" ou percentual de êxito. Um aviso explícito de que não há garantia de resultado é prática comum e recomendável.
- Identificação correta. Nome, número de inscrição na OAB e, no caso de sociedade, a razão social registrada.
- Aviso de publicidade advocatícia. Deixar claro no rodapé que o site é publicidade institucional e informativa, nos termos da regulamentação da OAB.
- Sem tabela de preços e sem comparação depreciativa com outros profissionais.
Cuidado com quem promete demais: fornecedor que oferece "funil agressivo", disparo em massa ou anúncio prometendo vitória pode expor o advogado a processo ético-disciplinar. O risco é do profissional, não da agência. Este artigo é informativo e não substitui a leitura do provimento nem orientação da sua seccional da OAB.
Na prática, a regulamentação não é obstáculo para um site bom — ela só descarta o marketing barato. A parte que a OAB não restringe é justamente a que gera resultado: clareza sobre o que você faz, conteúdo que explica o direito ao leigo, velocidade, e um caminho fácil para o contato.
O que não pode faltar, nos dois casos
Independentemente de qual peça você escolher, esses itens separam um site que trabalha de um site que só existe:
- Abrir rápido no celular. A maior parte das visitas vem do telefone, e a maioria dos sites de advocacia é lenta porque carrega tema pronto cheio de código inútil.
- Um caminho de contato óbvio — WhatsApp e formulário — visível sem rolar a página inteira.
- Formulário com aviso de LGPD e consentimento explícito. Dado de cliente em matéria jurídica é dado sensível por natureza.
- Endereço e telefone reais, batendo com o cadastro no Google Maps. Divergência aí atrapalha o SEO local.
- Textos escritos para leigo. "Tutela antecipada" não é o que o cliente pesquisa; "receber a herança mais rápido" é.
- Google Search Console e Analytics configurados nas contas do escritório — não nas da agência.
- Certificado de segurança (HTTPS) e domínio próprio. Site de advocacia em subdomínio de plataforma gratuita passa a mensagem errada.
Do briefing ao ar: como o prazo se distribui
Os erros que mais aparecem em site de advocacia
- Site institucional com dez páginas de duas linhas. Área de atuação sem conteúdo não ranqueia e não convence. Melhor ter três páginas boas que dez rasas.
- Landing page sem fonte de tráfego. Página linda no ar e ninguém acessando: falta o anúncio, o link de bio ou o SEO que trariam gente.
- Linguagem de petição. O visitante não é o juiz. Se ele precisa de dicionário, ele fecha a aba.
- Contato escondido. Telefone só no rodapé, formulário de nove campos, WhatsApp inexistente.
- Contas no nome da agência. Domínio, hospedagem, Search Console e Analytics devem estar no nome do escritório. Trocar de fornecedor não deveria significar recomeçar do zero.
Se quiser ver como estruturamos projetos assim, vale olhar nossa página de sites institucionais — e, se o gargalo for aparecer no Google, o guia de SEO explica o que vem depois do site no ar.